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A conquista do asfalto: A minha odisseia para estacionar no centro de Huelva

São doze horas de uma terça-feira e o termómetro da Avenida de Italia já começa a avisar que o sol de Huelva não perdoa. Tenho uma reunião na zona da Gran Vía e, embora conheça a minha cidade como a palma da mão, sei que entrar no centro histórico a esta hora é como tentar resolver um quebra-cabeças em movimento. Procurar estacionamento no centro de Huelva em plena hora de ponta é, possivelmente, o desporto radical mais praticado pelos locais.

O labirinto da zona azul

O meu percurso começa a contornar a Plaza del Punto. A luz de Huelva é espetacular, mas quando levas três voltas ao quarteirão à procura de um lugar onde caiba o meu carro, os reflexos nos para-brisas começam a perder a poesia. A Zona ORA (a famosa zona azul) é a minha primeira esperança. Vejo alguém a aproximar-se do seu veículo com as chaves na mão e, por um segundo, dá-se aquele contacto visual de vitória. No entanto, sol de pouca dura: o condutor só veio deixar os sacos das compras para continuar a tratar de assuntos.

O problema de Huelva não é apenas o número de automóveis, é o facto de o centro ser uma zona viva, cheia de escritórios, organismos oficiais e aquele comércio tradicional que teima em não morrer. As ruas estreitam-se e a paciência também. Passei pela rua San José, subi pela Palmera e desci por Pablo Rada, a ver como os carros se amontoam em segunda fila com os quatro piscas ligados — o «botão da invisibilidade», como aqui brincamos —, mas prefiro não arriscar a sorte de uma multa.

A salvação dos parques subterrâneos

Após quinze minutos de procissão, decido que o meu tempo vale mais do que os euros da tarifa e rumo direto a um dos parques de estacionamento públicos. O da Plaza del Ayuntamiento ou o da Casa Colón são os meus portos de abrigo. Ao descer a rampa e ouvir o sinal sonoro do bilhete, sinto um peso de stresse a desaparecer-me dos ombros. Sim, é mais caro do que a rua, mas a tranquilidade de deixar o carro à sombra, num local vigiado e a dois minutos do meu destino, é um luxo indispensável nos dias de semana.

O que aprendi após anos a «calcorrear» as ruas de Huelva:

A periferia é tua amiga: Por vezes compensa mais deixar o carro perto do Porto de Huelva ou nas zonas mais desafogadas de Pescadería e caminhar dez minutos a desfrutar da brisa da ria.

As horas críticas: Entre as 11:00 e as 13:30, o centro é um formigueiro. Se puderes, evita estas faixas horárias ou vai direto ao parque.

Aplicações de pagamento: Utilizar aplicações para o telemóvel poupou-me de ter de regressar ao carro para colocar o talão, permitindo-me prolongar as reuniões sem nervosismos.

Finalmente, chego ao meu compromisso a horas. Ao caminhar pela rua Concepción, vejo outros condutores com o olhar perdido à procura de um lugar milagroso e não consigo evitar um sorriso de certa empatia. Em Huelva, estacionar em hora de ponta não é uma questão de sorte, mas sim de estratégia.